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A principal preocupação dos participantes do mercado em relação aos conflitos no Oriente Médio começa, aos poucos, a se tornar realidade. Os ataques iranianos à infraestrutura de petróleo e gás natural de países do Golfo Pérsico assustam os investidores desde a noite de ontem e já resultam em um preço do petróleo ainda mais alto. Na manhã desta quinta-feira, o Brent tenta se sustentar acima de US$ 115 por barril, após ter ido a US$ 119 durante a madrugada.

Nos últimos dias, em conversas com agentes financeiros na Faria Lima, esse tema foi tratado com atenção especial. Afinal, se houvesse danos à infraestrutura de energia dos países vizinhos, o mercado poderia testar preços do petróleo ainda mais altos — o que já está acontecendo — e a curva futura do petróleo também poderia se ajustar para cima, em um possível sinal de que os efeitos do conflito sobre a commodity levariam o preço a ficar mais alto por mais tempo.

Esse segundo fator, inclusive, tem ocorrido de forma cada vez mais acelerada: o contrato futuro para dezembro do Brent subiu de US$ 70 por barril no início de março para US$ 85 nesta manhã.

“Esses desdobramentos reforçam os riscos de alta para nossas projeções de preços, tanto por eventuais disrupções mais prolongadas no Estreito de Ormuz quanto por danos persistentes à produção de energia, mesmo após uma eventual reabertura da rota”, afirmam os analistas do Goldman Sachs em nota enviada a clientes.

Visão semelhante é adotada pela equipe de commodities do Citi, que voltou a elevar as projeções para os preços do petróleo diante da extensão do conflito no Oriente Médio. O banco americano acredita que, em seu cenário base, que tem 50% de probabilidade de ocorrer, os preços do petróleo devem ficar no intervalo de US$ 110 a US$ 120 por barril no curtíssimo prazo, com a assimetria de riscos inclinada para cima.

E, em um cenário alternativo, “bullish” para o petróleo e com 30% de chance de se concretizar, o Citi projeta o Brent a US$ 150 por barril em até três meses.

Victor Rezende e Arthur Cagliari – Valor Econômico

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